Rio cria núcleo integrado para combater furtos de cabos e prejuízos à infraestrutura
A Prefeitura do Rio de Janeiro e o Governo do Estado lançaram nesta terça-feira o Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos. Criada por decreto do prefeito Eduardo Cavaliere, a estrutura reúne órgãos municipais, forças de segurança e empresas concessionárias para ampliar o combate aos furtos que afetam serviços essenciais da cidade.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), o núcleo terá atuação baseada no compartilhamento de informações entre Polícia Civil, Polícia Militar, CET-Rio, Rioluz e concessionárias privadas. A proposta é cruzar dados sobre ocorrências, horários e locais dos crimes para identificar padrões, além de mapear estabelecimentos suspeitos de receptação e acompanhar as diferentes etapas da cadeia criminosa.
Entre 2021 e 2026, os furtos provocaram mais de R$ 69 milhões em prejuízos aos cofres públicos, considerando os danos registrados nos sistemas de iluminação e semáforos. O prefeito Eduardo Cavaliere destacou a importância da integração entre as instituições para enfrentar o problema.
“Quando trabalhamos em parceria, conseguimos enfrentar esse tipo de problema que não é simples, mas é possível de resolver. Para combatê-lo, precisamos de inteligência”, afirmou.
O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, ressaltou que a base de dados integrada permitirá direcionar as ações para os pontos que provocam maiores impactos na operação dos serviços públicos. Representantes do Governo do Estado também defenderam a atuação conjunta como estratégia para ampliar a eficiência das forças de segurança.
A atuação do núcleo não ficará limitada ao furto de cabos de cobre. Também serão monitorados crimes envolvendo componentes de semáforos, equipamentos de energia e telecomunicações, além de tampas, grelhas e grades metálicas utilizadas na infraestrutura urbana.
A Prefeitura também avalia medidas administrativas contra estabelecimentos envolvidos com a receptação, incluindo fiscalização de licenças e, em situações extremas, desapropriação de imóveis utilizados para armazenamento de materiais provenientes de atividades ilegais.
Os dados das empresas responsáveis pelos serviços mostram a dimensão do problema. Desde 2021, a Rioluz registrou 94.824 ocorrências e o furto de 1.816 quilômetros de cabos, com prejuízo estimado em R$ 42 milhões. No sistema de semáforos, a CET-Rio contabilizou 457 quilômetros de cabos furtados e 488 controladores retirados, gerando perdas de aproximadamente R$ 27 milhões.
A Light também registrou impactos expressivos. Somente entre janeiro e julho de 2026, foram 780 ocorrências, com o furto de 78 quilômetros de fios e prejuízo estimado em R$ 10,4 milhões.
Além da repressão, novas soluções tecnológicas estão sendo adotadas para reduzir o interesse econômico dos criminosos. A CET-Rio iniciou a substituição dos cabos de cobre por cabeamento laranja com a inscrição “sem valor comercial”. Nove cruzamentos da Zona Norte já receberam o novo material, e a substituição será ampliada de acordo com as necessidades técnicas.
A Rioluz também estuda alternativas como a concretagem de caixas de passagem e o uso de cabos de alumínio. Já a Light reforça a importância da participação da população por meio de denúncias anônimas.
Com a criação do núcleo integrado e a adoção de medidas preventivas, a administração municipal busca reduzir os furtos, proteger a infraestrutura urbana e minimizar os impactos desses crimes sobre serviços essenciais, como iluminação pública, energia e mobilidade.

