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Copa do Mundo fortalece identidade nacional e desperta sentimento de pertencimento entre brasileiros, avalia historiador

A cada edição da Copa do Mundo, o Brasil vive uma transformação que ultrapassa o universo esportivo. Ruas decoradas, famílias reunidas diante da televisão e milhões de torcedores acompanhando a Seleção Brasileira evidenciam um sentimento coletivo que mistura emoção, identidade e patriotismo. Mais do que disputar um título, o torneio se consolida como um dos maiores símbolos da cultura nacional, despertando reflexões sobre o papel do futebol na construção da identidade brasileira.

De acordo com o historiador Rodrigo Rainha, professor da Estácio, esse fenômeno está diretamente relacionado ao processo histórico de formação das nações. Segundo ele, a identidade nacional é construída por meio de símbolos e experiências compartilhadas capazes de aproximar pessoas de diferentes origens, e o futebol ocupa posição central nesse processo no Brasil.

“O futebol se consolidou como uma das principais linguagens da identidade brasileira. Ao longo do século XX, especialmente com a popularização do rádio e das Copas do Mundo, o esporte passou a integrar a memória coletiva do país, transformando conquistas, derrotas e grandes ídolos em referências da história nacional”, explica o pesquisador.

Para o especialista, competições internacionais como a Copa criam momentos de forte identificação coletiva. Durante o torneio, milhões de brasileiros compartilham emoções simultaneamente, fortalecendo a sensação de pertencimento e de unidade nacional, independentemente das diferenças sociais, econômicas ou regionais.

Rainha ressalta que a Seleção Brasileira continua ocupando um espaço simbólico importante no imaginário popular justamente por representar um dos poucos elementos capazes de reunir pessoas em torno de um objetivo comum. “Em muitos casos, quem não se sente representado por outras instituições encontra no futebol uma oportunidade de compartilhar sentimentos e fazer parte de uma experiência coletiva”, observa.

Apesar desse potencial de integração, o historiador alerta para a necessidade de compreender o patriotismo para além das manifestações típicas dos dias de jogo. Segundo ele, a crescente influência da publicidade, das redes sociais e da indústria do entretenimento pode transformar símbolos nacionais em produtos de consumo, reduzindo o significado mais profundo do sentimento de pertencimento.

“A emoção vivida durante uma partida é legítima. No entanto, o patriotismo não pode se resumir ao uso da camisa da seleção ou às comemorações durante a Copa. Amar o país também significa enfrentar desafios ligados à educação, à cidadania, à democracia e à redução das desigualdades”, destaca.

Na avaliação do professor, a energia coletiva despertada pelo futebol representa uma oportunidade para fortalecer valores como solidariedade, respeito à diversidade e compromisso com a construção de uma sociedade mais justa. Para ele, o verdadeiro legado da Copa está na capacidade de transformar a união vista nas arquibancadas e nas ruas em participação ativa na vida cotidiana.

“Quando milhões de brasileiros vibram juntos por um mesmo objetivo, percebemos que ainda existe uma forte capacidade de conexão social. O desafio é fazer com que esse sentimento ultrapasse os noventa minutos de uma partida e contribua para a construção de um país em que todos possam se reconhecer como parte da mesma história”, conclui Rodrigo Rainha.