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Queda da Selic pode impulsionar vendas no segundo semestre, mas CDL Petrópolis alerta para risco de endividamento

A perspectiva de redução gradual da taxa básica de juros, a Selic, traz uma dose de otimismo ao comércio de Petrópolis para o segundo semestre de 2026. Segundo projeções do mercado financeiro, a taxa pode encerrar o ano em torno de 13,75%, cenário que tende a melhorar as condições de crédito e estimular o consumo, especialmente de bens duráveis.

Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, a mudança pode favorecer o movimento do comércio em um período estratégico do calendário varejista, marcado por datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. A expectativa é de que consumidores encontrem condições mais favoráveis para financiar compras, enquanto os lojistas ganhem maior segurança para investir em estoques e melhorias nos estabelecimentos.

Apesar do cenário mais positivo, o setor ainda precisa lidar com um consumidor financeiramente pressionado. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontam que mais de 81% das famílias brasileiras estão endividadas.

Outro indicador reforça a necessidade de cautela. Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que 81% dos consumidores inadimplentes recorrem à chamada “pedalada financeira”, utilizando uma nova linha de crédito para quitar dívidas anteriores. A prática pode agravar o desequilíbrio financeiro das famílias e aumentar os riscos de inadimplência para o comércio.

Comércio precisa estimular o consumo com responsabilidade

O presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, avalia que juros menores podem contribuir para a recuperação das vendas, mas defende que os lojistas também assumam um papel na promoção do consumo consciente.

“O papel do comércio local agora não é apenas vender, mas criar condições atrativas e seguras de pagamento que evitem o superendividamento de nossos clientes”, afirma.

Na avaliação da entidade, a relação de confiança entre comerciante e consumidor será especialmente importante nos próximos meses. Com o orçamento das famílias ainda comprometido, estratégias de venda que priorizem condições transparentes e compatíveis com a capacidade de pagamento podem contribuir para reduzir a inadimplência e preservar o relacionamento de longo prazo.

Para diminuir os riscos no período de maior movimentação do varejo, a CDL recomenda que os comerciantes utilizem ferramentas de análise de crédito, incluindo consultas integradas ao SPC Brasil. A entidade também orienta os lojistas a priorizarem promoções com descontos efetivos no pagamento à vista e opções de parcelamento adequadas ao orçamento dos consumidores.

A recomendação é evitar a dependência excessiva de prazos longos com juros elevados, que podem estimular compras no curto prazo, mas aumentar a inadimplência posteriormente.

Com inflação mais controlada e sinais de recuperação gradual da economia, a expectativa da CDL é de um segundo semestre mais favorável para o comércio petropolitano. O desafio, porém, será equilibrar preços competitivos, análise responsável de crédito, boas condições de pagamento e atendimento de qualidade para transformar a possível melhora do cenário econômico em crescimento sustentável das vendas.